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Arquivo para 06/10/2010

Felicity e as descobertas pessoais

Por Nathielle Hó

Eu costumava ficar acordada até altas horas só para ver Felicity. Na época eu não tinha TV por assinatura, então tive que recorrer ao SBT e seus horários estapafúrdios. Todo esse esforço era recompensado com uma série que tinha um roteiro interessante e personagens críveis. Tudo isso se deve ao meu queridinho J.J.Abrams, criador de séries como Lost, Fringe, Alias e tantas outras. Felicity é uma das obras que mais gosto desse autor, isto porque a série retratou muito bem um tempo que estou vivendo: a faculdade. Quantas incertezas, quantas novidades, época de amadurecimento. Felicity, a personagem principal, passou por tudo isso. E foram quatro temporadas recheadas de momentos inesquecíveis e de mudanças.

Minha admiração por Felicity começou a partir do momento em que ela enfrenta seu pai para fazer o curso de Artes e vai atrás de seu amor platônico – Ben. Felicity era perfeita com seus cachos loiros e carinha de anjo, e seu jeito meigo. Sempre muito centrada e inteligente, às vezes ela cometia alguns atos impulsivos, afinal de contas ela é humana, ora bolas! Com certeza foi a protagonista ideal. Ela conseguiu durante as quatro temporadas conciliar faculdade, o trabalho na lanchonete Dean & Deluca com sua vida pessoal. Em falar no trabalho da Felicity, o que era aquele chefe dela? O Javier com seus trejeitos e sotaque era um dos personagens que eu mais gostava. Outro que eu amava de paixão era o Noel. Tudo bem que eu tenho uma certa queda por nerds, e Noel era um dos geeks mais fofos do mundo das séries. Um personagem como o  Noel que reúne características como inteligência, generosidade e amor pela protagonista merecia um final com ela. Mas como as séries imitam a vida e esta por sua vez é cheia de surpresas, com quem vocês acham que a Felicity acabou ficando? Claro, com o Ben, amor de adolescência. O Ben é o cara tido como popular, bonitão, atlético e pegador. Essa é a primeira impressão, mas depois outras características do personagem são reveladas. A relação difícil com sua família, a mãe submissa e o pai alcoólatra dentre outras coisas, contribuíram para que ele tivesse certa dificuldade em expressar seus sentimentos. Aos poucos vamos descobrindo que Ben é mais do que um “rostinho bonito”, porque ele vai demonstrando sua sensibilidade sendo uma pessoa muito dedicada a seus amigos, preocupado em ajudar os outros e com um grande senso de justiça.

O primeiro beijo de Felicity e Ben:

Dos personagens coadjuvantes, a que eu achava mais interessante era a Meghan. Com seu estilo gótico e jeito meio agressivo de ser, no começo parecia que ela não ia muito com a cara da sua colega de quarto, a Felicity. Mas ao longo da série ela se mostrou uma amiga fiel. Além disso, Meghan tem um dos relacionamentos mais improváveis com o fofo do Sean. Ele é muito engraçado com suas idéias estranhas de empreendedorismo. O casal sempre com discussões muito divertidas, foi o que mais terminou e voltou durante as quatro temporadas. Elena, outra personagem da trama, era uma das melhores amigas de Felicity, sempre muito responsável e com personalidade forte, orientou a loirinha em vários momentos. Já a Julie, a cantora, inicialmente era muito amiga da protagonista, mas depois se tornou uma pedra no sapato de Felicity por se envolver com o Ben. Estes personagens dão vida à história, que tem como cenário a maravilhosa Nova York dos anos noventa. Mas peraí, deixei o melhor para o final: o melhor da série eram aquelas gravações em fita cassete feitas pela Felicity. Ela utilizava o gravador para registrar tudo que estava acontecendo – como se fosse um diário. Essas fitas eram enviadas para sua amiga Sally. Eu sempre achei essa parte uma das melhores, eu ficava imaginando como seria fisicamente e psicologicamente o personagem para o qual a Felicity mandava as fitas.

Como sabemos, O J.J.Abrams adora flashbacks e viagens no tempo, pois bem, em Felicity isso também acontece. Os episódios finais com realidades alternativas é criticado por alguns e entendido por outros. Mas o certo, é que Abrams teve uma sacada genial ao fazer isso, porque o final acaba sendo inesperado. Agora será que em Lost ele conseguiu um resultado satisfatório com essas viagens no tempo?

Voltando a falar de Felicity, tudo nessa série me causa certa nostalgia, principalmente a abertura, muito bem feita com fotos em preto e branco, e ao fundo aquela música suave – “New Version of Me”, de J.J. Abrams. Ah, falando nisso, para quem gosta de colecionar trilhas de séries aí vai algumas informações: a primeira trilha sonora de Felicity foi lançada em 1999. O destaque ficou com a faixa 11 do CD, a música Puddle Of Grace, cantada pela atriz Amy Jo Johnson, a Julie. Já em 2002, com a última temporada da série indo ao ar, foi lançada a segunda trilha sonora. O CD foi intitulado “Senior Year”. Quanto aos DVD’s da série, nem adianta procurar que aqui no Brasil você não vai encontrar – o que é uma pena! Por fim, tenho que dizer que aprendi muito com Felicity, com suas escolhas, erros e acertos. Acho que já me espelhei muito nela para tomar algumas decisões amorosas e profissionais. Enfim, só posso dizer que essa série me marcou muito e que é uma das que eu recomendo muitíssimo!

Ouça Puddle Of Grace por Amy Jo Johnson:

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