"So I think It’s Time For Us to Have a Toast" – Kanye West (Runaway)

Por Nathielle Hó

Eu costumava ficar acordada até altas horas só para ver Felicity. Na época eu não tinha TV por assinatura, então tive que recorrer ao SBT e seus horários estapafúrdios. Todo esse esforço era recompensado com uma série que tinha um roteiro interessante e personagens críveis. Tudo isso se deve ao meu queridinho J.J.Abrams, criador de séries como Lost, Fringe, Alias e tantas outras. Felicity é uma das obras que mais gosto desse autor, isto porque a série retratou muito bem um tempo que estou vivendo: a faculdade. Quantas incertezas, quantas novidades, época de amadurecimento. Felicity, a personagem principal, passou por tudo isso. E foram quatro temporadas recheadas de momentos inesquecíveis e de mudanças.

Minha admiração por Felicity começou a partir do momento em que ela enfrenta seu pai para fazer o curso de Artes e vai atrás de seu amor platônico – Ben. Felicity era perfeita com seus cachos loiros e carinha de anjo, e seu jeito meigo. Sempre muito centrada e inteligente, às vezes ela cometia alguns atos impulsivos, afinal de contas ela é humana, ora bolas! Com certeza foi a protagonista ideal. Ela conseguiu durante as quatro temporadas conciliar faculdade, o trabalho na lanchonete Dean & Deluca com sua vida pessoal. Em falar no trabalho da Felicity, o que era aquele chefe dela? O Javier com seus trejeitos e sotaque era um dos personagens que eu mais gostava. Outro que eu amava de paixão era o Noel. Tudo bem que eu tenho uma certa queda por nerds, e Noel era um dos geeks mais fofos do mundo das séries. Um personagem como o  Noel que reúne características como inteligência, generosidade e amor pela protagonista merecia um final com ela. Mas como as séries imitam a vida e esta por sua vez é cheia de surpresas, com quem vocês acham que a Felicity acabou ficando? Claro, com o Ben, amor de adolescência. O Ben é o cara tido como popular, bonitão, atlético e pegador. Essa é a primeira impressão, mas depois outras características do personagem são reveladas. A relação difícil com sua família, a mãe submissa e o pai alcoólatra dentre outras coisas, contribuíram para que ele tivesse certa dificuldade em expressar seus sentimentos. Aos poucos vamos descobrindo que Ben é mais do que um “rostinho bonito”, porque ele vai demonstrando sua sensibilidade sendo uma pessoa muito dedicada a seus amigos, preocupado em ajudar os outros e com um grande senso de justiça.

O primeiro beijo de Felicity e Ben:

Dos personagens coadjuvantes, a que eu achava mais interessante era a Meghan. Com seu estilo gótico e jeito meio agressivo de ser, no começo parecia que ela não ia muito com a cara da sua colega de quarto, a Felicity. Mas ao longo da série ela se mostrou uma amiga fiel. Além disso, Meghan tem um dos relacionamentos mais improváveis com o fofo do Sean. Ele é muito engraçado com suas idéias estranhas de empreendedorismo. O casal sempre com discussões muito divertidas, foi o que mais terminou e voltou durante as quatro temporadas. Elena, outra personagem da trama, era uma das melhores amigas de Felicity, sempre muito responsável e com personalidade forte, orientou a loirinha em vários momentos. Já a Julie, a cantora, inicialmente era muito amiga da protagonista, mas depois se tornou uma pedra no sapato de Felicity por se envolver com o Ben. Estes personagens dão vida à história, que tem como cenário a maravilhosa Nova York dos anos noventa. Mas peraí, deixei o melhor para o final: o melhor da série eram aquelas gravações em fita cassete feitas pela Felicity. Ela utilizava o gravador para registrar tudo que estava acontecendo – como se fosse um diário. Essas fitas eram enviadas para sua amiga Sally. Eu sempre achei essa parte uma das melhores, eu ficava imaginando como seria fisicamente e psicologicamente o personagem para o qual a Felicity mandava as fitas.

Como sabemos, O J.J.Abrams adora flashbacks e viagens no tempo, pois bem, em Felicity isso também acontece. Os episódios finais com realidades alternativas é criticado por alguns e entendido por outros. Mas o certo, é que Abrams teve uma sacada genial ao fazer isso, porque o final acaba sendo inesperado. Agora será que em Lost ele conseguiu um resultado satisfatório com essas viagens no tempo?

Voltando a falar de Felicity, tudo nessa série me causa certa nostalgia, principalmente a abertura, muito bem feita com fotos em preto e branco, e ao fundo aquela música suave – “New Version of Me”, de J.J. Abrams. Ah, falando nisso, para quem gosta de colecionar trilhas de séries aí vai algumas informações: a primeira trilha sonora de Felicity foi lançada em 1999. O destaque ficou com a faixa 11 do CD, a música Puddle Of Grace, cantada pela atriz Amy Jo Johnson, a Julie. Já em 2002, com a última temporada da série indo ao ar, foi lançada a segunda trilha sonora. O CD foi intitulado “Senior Year”. Quanto aos DVD’s da série, nem adianta procurar que aqui no Brasil você não vai encontrar – o que é uma pena! Por fim, tenho que dizer que aprendi muito com Felicity, com suas escolhas, erros e acertos. Acho que já me espelhei muito nela para tomar algumas decisões amorosas e profissionais. Enfim, só posso dizer que essa série me marcou muito e que é uma das que eu recomendo muitíssimo!

Ouça Puddle Of Grace por Amy Jo Johnson:

Comentários em: "Felicity e as descobertas pessoais" (5)

  1. Parabéns Nathy!!!!!
    Seus textos sempre me supreendem!!
    Parabéns!

  2. Luana disse:

    Que música linda essa da Amy Jo Johnson…
    Adorava Felicity S2

  3. Felicity é tudo de bom. Me apaixonei pela série, e morro de saudade!

  4. Fabiana disse:

    Também sou fã de Felicity. No seu texto você conseguiu expressar tudo o que eu penso sobre a série, principalmente quando diz que o enredo e os personagens são totalmente verossímeis e assim conseguimos nos identificar com as situações, personagens e os dramas de cada um. A Felicity é uma personagem inspiradora!

  5. Adorava Felicity e sinto saudade do tempo que a série passava no SBT! Alguns amigos meus tb assistiam, então “Felicity” estava sempre em nossas conversas… Por isso (tb) a saudade… por conta do bate papo com os amigos. Hoje moro em outro estado e já não é sempre que nos vemos e conversamos… Ê nostalgia!

    Na real, não curti muito o fato do Ben ter tido um filho com outra quase no fim da série, mas… isso é bem vida real! (algo que a gente vê por aí).

    Felicity ainda é uma das minhas séries favoritas e, embora ainda passe no Sony, já faz um tempo que não vejo (nossos horários são desencontrados, rs).

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