"So I think It’s Time For Us to Have a Toast" – Kanye West (Runaway)

É a melhor representação da realidade já feita no cinema nacional

Tudo o que Tropa de Elite 1 foi e representou pode ficar para trás diante deste êxito sem precedentes que é a sua continuação. Não me refiro à bilheteria. Toda a superficialidade do primeiro filme é rompida com um mergulho no lado mais obscuro e, ao mesmo tempo, evidente da sociedade brasileira: política e corrupção.

Enquanto o filme de 2007 faz sua audiência ser tomada por uma catarse provocada por cenas de violência que não se justificam dentro do enredo, já que elas não levam o espectador a uma reflexão profunda, esta sequência consegue submeter sua história a um contexto social e político que justifica cada take do filme. Faz uso de alegorias e produz uma magistral representação do real. Direção e roteiro afinados com a mensagem por trás das cenas e montagens. Aliás, o roteiro é sensacional, utiliza todos os recursos que um bom filme pode utilizar: agilidade, dinamismo, inteligência, reversão de expectativa, estrutura sólida e também não linear. A direção só peca em dois aspectos: fotografia e edição. São elementos que poderiam ter sido mais cuidados.

Wagner Moura coloca Tropa de Elite 2 no bolso

Um filme repleto de algumas ótimas atuações e uma genial. Assim podemos resumir o trabalho do elenco do longa. Porém, em Tropa 2 é o trabalho de Wagner Moura que mais impressiona. Uma interpretação no tom certo e uma concepção acertada e coerente do personagem. O Capitão Coronel Nascimento passa por um processo de humanização que contribui significativamente para a sensação de veracidade que o filme produz. Nascimento não é um herói – nem um anti-herói -, é a engrenagem de um sistema que começa a experimentar todos os seus conflitos pessoais e éticos durante sua evolução.

Tropa de Elite 2 consegue a façanha de produzir um reflexão política e fazer com que essa reflexão alcance a grande massa. E mais: José Padilha, diretor do filme, não se perde e seu processo de comunicação torna-se bem-sucedido. Vejam só: o governo do estado do Rio de Janeiro está representado da pior forma possível no longa e mesmo assim, numa tentativa de negar a representação, investe e patrocina a obra. Uma deliciosa incoerência que torna o filme ainda melhor.

O trabalho de Padilha consegue arrebatar a emoção do espectador em diversos momentos e faz de Tropa de Elite 2 um épico contemporâneo. De um crítico inflexível do filme, passo para a admiração a uma excelente obra. Inegavelmente melhor que o primeiro filme, este tem tudo para entrar para a história do cinema nacional.

 

 

 

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