"So I think It’s Time For Us to Have a Toast" – Kanye West (Runaway)

Mudanças de rumo e sonoridade marcam o retorno dos garotos de Nova York

Angles traz músicas que, à primeira audição, não impressionam ou envolvem o ouvinte. Mais que isso: a pergunta “São mesmo os Strokes” veio logo à mente assim que escutei Macchu Picchu e talvez não conseguiria identificar não fosse o vocal marcante de Julian Casablancas, mesmo abafado no meio da atmosfera eletrônica incorporada nessa abertura do álbum.

E já com Under Cover Of Darkness temos a noção do que é e do que significa este álbum dos Strokes. A verdade é que quanto mais Is This It for consagrado e os fãs e críticos esperarem que a banda siga a mesma linha do álbum de estreia e se supere, os Strokes vão fracassar. E por isso Angles vem pra provar que a banda abriu um leque para mostrar que sua sonoridade vai além de Is This It. Se eles ficaram fora e, quando voltaram, perceberam que todo mundo estava cantando a mesma música havia 10 anos… Bom, já era hora de mudar e foi o que eles fizeram.

Este não é o melhor álbum da banda, não supera Is This It, ou mesmo Room On Fire. Mas deve ser um divisor de águas para a própria sobrevivência da banda.

A partir de Two Kind Of Happiness, já constatamos o que há em Angles. A influência de New Order é bem evidente e o disco é inteiro uma mistura clássica e bem feita entre rock e música eletrônica. O que pôde ser visto no álbum solo de Julian Casablancas, o Phrazes For The Young, que traz essa mistura submersa num pop de pista de dança.

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

You’re So Right vem em seguida, desacelerada e ainda mais estranha. As experimentações funcionam e, apesar do estranhamento, é interessante ouvir as guitarras de Albert e Nick mais calmas e eletrônicas, como também aparecem em Games.

Taken For A Fool é uma das melhores do álbum, soa como o caminho certo encontrado pela banda, que decidiu repaginar sua sonoridade. Já a partir da balada Call Me Back o álbum cai um pouco. Em Metabolism, parece que a banda volta ao clima de Room On Fire, lembrando sucessos como Reptillia e Heart In A Cage. E encerrando o álbum, Life Is Simple In The Moonlight com suavidade.

Angles é um álbum que prova e estampa todas as referências e influências musicais dos Strokes da forma mais clara e escancarada. Mesmo assim, soa tão diferente dos Strokes, descaracteriza um pouco a banda, mas oferece novos caminhos e possibilidades. O saldo é positivo, mas Angles é mais como uma divisão na carreira da banda do que a continuidade do trabalho. Vamos ver se eles superam os desentendimentos e rusgas para seguir traçando a carreira dessa grande banda chamada The Strokes.

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